Dentes Anteriores Fracturados
Estamos em plena época de férias escolares, as brincadeiras entre crianças e adolescentes aumentam e assim aumentam também as probabilidades de pequenos acidentes virem a desencadear dentes partidos com algumas complicações para toda a vida.
A notícia de um dente partido é sempre uma má noticia com grande preocupação para os pais, pois sabem que o dente não se regenera como se regenera um golpe na pele.
O que fazer então em caso de um dente se partir?
1 – Se o traumatismo envolveu tecidos moles, deve-se estacar o sangue fazendo compressão na zona dos lábios, com a ajuda de um lenço ou de uma compressa.
2 – Tentar recuperar a porção do dente que saltou e guardá-lo em meio seco e limpo. Em função do tipo de fractura, com ou sem envolvimento pulpar, as abordagens terapêuticas serão distintas, tanto na sua metodologia como na sua técnica.
3 – No caso de todo o dente ter saltado, deve-se urgentemente (no prazo máximo de 2 horas) procurar um Médico Dentista, afim de voltar a colocar o dente no mesmo sítio, o que se chama de reimplantação dentária. Nesta situação coloca-se o dente debaixo da língua da vítima até se chegar ao Médico Dentista.
Porque razão algumas crianças têm mais tendência para estes tipos de acidentes que outras?
Quando a criança cai para a frente, sem grande apoio das mãos e dos braços, são os dentes que estão mais à frente, para receber o impacto da queda.
Percebe-se facilmente que se a criança tiver os dentes projectados para a frente, estes estão ainda em maior risco de acidente, do que no caso de estarem mais recuados e, assim, mais protegidos das quedas. Esta situação é válida, principalmente, para os desportos colectivos em que há contacto físico.
Porque razão os dentes superiores, se podem encontrar demasiado inclinados para a frente?
Existem três razões que influenciam particularmente a posição dos dentes na boca: o seu tamanho, o tamanho dos maxilares que são as suas bases ósseas, e a força da língua que os empurram para fora ou pela força dos lábios que os empurram para dentro. Portanto eles encontram-se numa posição neutra de forças dentro da boca, sendo que são influenciados pelos restantes constituintes da boca.
Nas crianças que apresentam este tipo de posicionamento dentário, poderão estar estes 3 factores associados, mas com um deles a assumir um papel preponderante, que são as forças labiais ou linguais alteradas.
Vamo-nos centrar no factor mais típico e naquele em que se pode actuar e tratar.
A criança respira sobretudo pela boca, de dia e de noite, ou seja, é respiradora oral crónica. Os lábios estão sempre entreabertos, não fazendo o seu selamento.
A língua posiciona-se numa posição inferior para permitir a passagem do ar, ao deglutir a saliva, cerca de 2000 vezes por dia. Pode ainda posicionar-se entre os incisivos, os alimentos são mastigados à pressa e apenas só de um lado. Este hábito, pode permitir à criança mastigar e respirar ao mesmo tempo.
(Certo dia estava eu num restaurante muito composto e estava a mãe de uma criança muito irritada com o seu filho e que lhe dizia:
- “Come com a boca fechada…. Come com a boca fechada…”, mas a criança nada, enrolava a comida na boca e zás, já está.
Pensava eu com os meus botões: poder respirar é mais importante que comer!).
Mas deixamos este aparte.
Uma vez que a boca está sempre entreaberta, mesmo a comer, o lábio superior não se desenvolve. Não é solicitado, não tem função e atrofia. O inferior fica mais grosso e como que virado para baixo (é traccionado pelo movimento de abertura de boca).
Percebemos então, que uma criança que não respire convenientemente pelo nariz pode vir a desenvolver esta mordida, por falta de apoio dos lábios superiores sobre os dentes incisivos.
Dentes anteriores superiores inclinados para a frente podem ser sinal de sofrimento generalizado.
Se isto estiver associado com outros sinais clínicos orais e outras queixas subjectivas, poderemos estar em presença de um respirador oral crónico e sem motivos que o justifiquem, apenas o hábito de respirar pela boca.
Excluem-se aqui as doenças respiratórias do foro obstrutivo como sejam as alergias ou outros problemas pulmonares.
É um assunto para desenvolver numa outra oportunidade, mas alguns sinais e sintomas podem já ser despistados nas nossas crianças.
Desde os aspectos de aprendizagem até às dores de cabeça passando por dores nos membros, podem surgir a qualquer momento e em qualquer idade da vida. O posicionamento da cabeça face ao tronco também pode estar alterado.
Uma criança que não respire pelo nariz pode não ter um sono repousante e tranquilo. Se não respira pelo nariz, destapa-se frequentemente durante a noite. Parece existir uma informação contraditória da temperatura ambiente.
O que acontece a uma criança na escola à qual que não se deixe dormir o suficiente? Está com sono nas aulas, não aprende, não se concentra, fica inquieta.
Com este tipo de respiração oral, que é apenas superficial, a ventilação pulmonar é diminuta. A criança sente-se cansada durante o dia podendo não conseguir executar as actividades de educação física como as outras crianças.
Chamo aqui à atenção dos fisioterapeutas e dos professores de educação física para a importância da respiração nasal!
Com este tipo de respiração, a marcha faz-se com o corpo inclinado para a frente e as mãos para trás. É por essa razão que elas não estão lá para protegerem os dentes quando a criança cai.
Um dia destes numa consulta, a mãe de uma criança, dizia-me que a sua filha já conseguia aguentar a nadar, fazia grandes percursos debaixo de água e que até ali não o conseguia. Melhorou as notas na escola e estava feliz.
Esta criança, por sinal, sofria de dislexia.

Dente Anterior Fracturado

Dente Anterior Restaurado


Posição corporal comum nos respiradores orais
Read More


