O que são e a quem se dirigem
Tratamentos de oclusão são tratamentos efectuados ao órgão mastigador, ou mais simplesmente, aos dentes e a todas as suas estruturas envolventes.
Quando se necessita de tratamento significa que pelo menos uma das estruturas constituintes da boca entrou em desequilíbrio, o que se pode manifestar através de dores ou alterações funcionais que necessitam de ser restabelecidas.
As dores são sobretudo localizadas na região lateral e frontal da cabeça (craniomialgias), dores na face ou dores reflexas de outras zonas.
As dores na região cervical devem-se à alteração da posição da cabeça, devido a prematuridades ou disfunções musculares.
As alterações funcionais, entre muitas delas, são: a mastigação unilateral, a deglutição com interposição da língua ou dos lábios entre os dentes em esforço e dormir com a face apoiada nas mãos ou com forte apoio da almofada sobre a face.
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Oclusão dentária, como o nome indica, refere-se à forma como os dentes ocluem, isto é, a relação existente na mordida entre a arcada superior e a inferior e a relação desta com as outras estruturas bocais.
É uma disciplina da Medicina Dentária, que vem dar resposta a estas e outras questões, promove o bem-estar dos doentes e vem abrir uma nova forma de olhar para a Medicina Dentária, vendo a pessoa como um todo e não cingida ao dente em si.
Os dentes ao entrarem em contacto, devem-no fazer de uma forma harmoniosa, silenciosa e encaixarem com recurso a uma força suave.
Para que esta função aconteça o organismo socorre-se de um sistema, em que tudo está programado e automatizado. Este sistema é composto pelo maxilar superior e inferior, pelas articulações do maxilar, pelos ligamentos, pelos músculos e pelos nervos, encontrando-se todos situados na região anterior da cabeça.
Por vezes este sistema apresenta doenças nas estruturas mais frágeis, que variam de pessoa para pessoa, e que são as primeiras a apresentarem problemas.
Podem ser os dentes, que apresentem um desgaste considerável ou um músculo da face ou da cabeça “hipertrofiado” que dói continuamente. Pode ser um nervo inflamado da região da articulação mandibular a provocar uma neurite ou pode ainda ser uma articulação que faz “clik”, acompanhada ou não de dor.
O diagnóstico em oclusão é consideravelmente difícil podendo abranger várias especialidades médicas. O tratamento embora fácil, por vezes requer uma reabilitação oral algo complexa. Desde uma simples ortodontia até a uma reabilitação protésica bastante complexa.
Estas são as razões pelas quais os pacientes passam anos e vidas de sofrimento sem serem diagnosticados nos variadíssimos serviços de saúde; passam meses e anos com aparelhos na boca e sujeitam-se a reabilitações, condenadas ao fracasso.
A prevenção é o melhor tratamento para a má oclusão e deve-se iniciar desde o berço.
Devem-se adoptar posturas correctas para dormir e despistar precocemente disfunções do sistema em causa, interceptar ortopédica ou ortodonticamente, em fases precoces da erupção dentária e nos problemas estruturais e miofuncionais.
De todas as cefaleias, 80% a 90% são de origem do sistema da boca e dentes, a que se chamou de estomatognático.
A maioria das enxaquecas resulta de dores dos músculos da face e cabeça, sendo assim craniomialgias. Uma considerável percentagem das dores latejantes da cabeça está associada a uma inflamação do nervo que passa na articulação do maxilar, ou seja, estamos em presença de uma neurite do trigémeo.
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Novos métodos no tratamento de oclusão:
Medicina Dentária do Século XXI
Nas diferentes escolas Europeias e Americanas, o diagnóstico e o tratamento em oclusão não estão normalizados, protocolizados ou mesmo consensuais.
Fala-se de uma síndrome disfuncional das Articulações Temporomandibulares (ATM’s) e pouco de patologia das ATM’s
Saber o que se passa dentro das articulações, como reagem aos traumas, como se regeneram, como se adaptam e como se podem tratar, consiste na utilização de um novo equipamento electrónico computorizado, desenvolvido na Áustria pelo Dr. Rudolfo Slavicek, que permite um tratamento das ATM’s mais sistematizado e preciso.
O equipamento permite fazer um exame, designado de axiografia electrónica. Através de um traçado magnético, descrito pelo côndilo da articulação, permite fazer uma análise rigorosa do seu posicionamento ao longo do movimento da mesma.
Os resultados são transmitidos ao computador, que os traduz em gráficos lineares, análises numéricas e curvas de aceleração dos movimentos dos côndilos. O movimento pode ser visualizado em imagens tridimensionais e observar-se, por exemplo, uma assimetria de movimentos.
Os resultados numéricos dos traçados são incluídos num exame ortodôntico designado de cefalometria, que por sua vez vai correlacionar o movimento na articulação com a posição dos dentes.
É neste momento que podemos encontrar incongruências no funcionamento do órgão mastigador, as curvas e os ângulos descritos pelas articulações e pelos dentes, que poderão não ser compatíveis. Neste caso poderão surgir problemas que necessitem de tratamento ou de correcção.
O exame permite analisar o movimento maxilar na fala, na mastigação, na deglutição e no ranger dos dentes e deste modo, permite analisar o padrão de funcionamento do maxilar.
Existem muitos tratamentos aos dentes que podem influenciar estes padrões de funcionamento, tanto para melhorar como para piorar. Os principais exemplos são as próteses (placas) extensas e os tratamentos de ortodontia.
Com estes tratamentos podemos melhorar ou piorar a eficácia da mastigação ou mesmo impedi-la. Observa-se por vezes que o paciente tem que tirar a prótese para mastigar ou mesmo que sente a boca muito cheia.
Este exame permite então visualizar incongruências dos dados e definir posições médias de reabilitação oral.
É na realidade um grande meio auxiliar de diagnóstico, a par de alguns outros, para chegarmos ao melhor tratamento. Não nos dá a causa da patologia em si, mas permite correlacionar os achados e transferi-los para um articulador.
Neste aparelho, que recebeu os dados do anterior, é feita uma análise oclusal, ou seja, que o dente ou dentes contribuíram para o problema. O diagnóstico, assim como o tratamento, são extensos e exigem o envolvimento de várias especialidades. Quando bem elaborado e bem planeado, os doentes melhoram significativamente e a sua vida adquire uma melhor qualidade.
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Novas metodologias no tratamento das cefaleias
A Oclusão é uma disciplina da Medicina Dentária que estuda, diagnostica e trata os problemas de saúde relacionados com o mau funcionamento dos músculos da mastigação, das articulações dos maxilares e com a imperfeição do posicionamento, ou seja do “encaixe”, dos dentes.
Uma má oclusão (maloclusão) associada a forças desproporcionadas ou exageradas nas diferentes funções normais do órgão mastigador, “boca”, incluindo a língua e os lábios, produz uma disfunção, que pode levar a problemas de saúde geral, capazes de prejudicarem a qualidade de vida das populações, produzir absentismo e perda de rendimento escolar.
Um dos primeiros sintomas desta disfunção é o surgimento de dores de cabeça. Consideradas por médicos e pacientes como cefaleias, mas que na realidade são dores dos músculos da mastigação que se inserem na região lateral da cabeça.
Estas produzem as chamadas craniomialgias e surgem logo pela manhã, podendo-se prolongar por todo dia. Podem ainda confundir-se ou serem interpretadas como enxaquecas. As pessoas que as sentem podem-se conformar com elas, mas passam uma vida inteira de sofrimento.
Pode parecer simples a abordagem do problema, mas as craniomialgias representam cerca de 80 a 90% de todas as dores de cabeça. As faltas ao emprego por estas dores são muito significativas, pesam nos encargos da segurança social e diminuem o rendimento no local de trabalho.
Nas crianças e nos jovens em idade escolar é dramático, uma vez que reduzem muito a sua capacidade de aprendizagem e de estudo.
A segunda consequência são dores localizadas na região dos ouvidos, acompanhadas ou não de “cliks”, que com frequência levam as pessoas a recorrerem ao médico da especialidade. Podem surgir ainda sintomas tais como: “sensação de ouvido entupido”, zumbidos ou vozes que parecem entoar.
Em casos não muito raros o surgimento de otites não bacterianas ou a inflamação do canal auditivo externo pode estar presente.
Esta situação deve-se a uma disfunção da articulação do maxilar, provocada sobretudo pela perda de dentes desde idades muito jovens sem que estes tenham sido convenientemente substituídos, ou mesmo pelo seu mau posicionamento.
As articulações, por estas ou outras razões adoecem, inflamam, produzem dor e libertam substâncias que inflamam as estruturas que estão próximas ou à distancia, mas ligadas por nervos.
Poderemos aqui falar em verdadeiras neurites (inflamação dos nervos) designadamente uma neurite do trigémeo, o maior nervo da cabeça, que recebe sensibilidade, produz movimento e comunica com todos os outros nervos da cabeça.
Uma 3ª causa mais comum de uma má oclusão são as dores musculares da face, junto às bochechas, ou o surgimento de cansaço muscular ao mastigar. É uma situação muito característica de contactos entre os dentes em movimentos de lateralidade, que não deveriam acontecer ou mesmo contactos prematuros que interferem com a harmonia do movimento.
Estas situações são muito frequentes em pessoas que perderam um ou mais dentes. Os restantes inclinaram-se para os seus espaços e passaram a prejudicar o movimento, através de interferências ou prematuridades.
As consequências de uma má oclusão à distância são inúmeras.
Incluem problemas relacionados com os músculos dos olhos, com a posição da cabeça no espaço, com o balanço do corpo para a frente ou para trás, com dores na coluna ou mesmo dores em todas as grandes articulações do corpo, do lado direito ou do lado esquerdo, consoante a articulação do maxilar que está doente.
Convido o leitor a aproximar uma esferográfica da raiz do nariz e fixar intensamente, até ao ponto de desfocar, logo de seguida fazer a mesma manobra mas com o maxilar inferior avançado, observe a diferença, na facilidade com que aproxima a esferográfica. Pode detectar assim um problema oclusal relacionado com os músculos dos olhos.
Experimente inclinar a cabeça para os lados, frente e para trás e ir observando em que posição os dentes contactam. Diferentes contactos dentários dão-nos diferentes posições de cabeça, mas se os dentes mandarem inclinar a cabeça, porque existe por exemplo um tal contacto indevido, a cabeça inclina, mas os olhos não deixam, o plano das pupilas tem que ser paralelo ao solo, logo existe informação a chegar ao cérebro contraditória.
Então o que vai acontecer é que a coluna cervical vai compensar, assim como a cintura escapular, o conjunto da coluna e os ombros. Produzem a este nível um sistema tampão. Mas se por alguma razão este sistema ainda não for suficiente, o desequilíbrio reflecte-se na cintura pélvica, ao nível da simetria dos ossos da bacia, outro sistema tampão e por inerência aos pés, os últimos a sofrerem a adaptação.
Desta forma é fácil vermos uma criança com mal oclusão, com problemas de convergência e outros sintomas variados nos olhos, os ombros a diferentes níveis, os ossos da bacia que lhe dão uma perna mais curta e um andar desequilibrado, que lhe provoca um desgaste assimétrico nos sapatos.
Tudo isto não é assim tão simples, pois poderemos começar pelos pés ou pelos olhos e teremos um problema de má oclusão. Com todos os dentes, com espaço para todos, mas mal posicionados devido a um problema que se localiza nos olhos ou ainda mais à distância.
Esta assimetria do funcionamento do corpo provoca, entre outros problemas, uma síndrome do sistema proprioceptivo. É este sistema que nos dá uma noção do nosso corpo em relação ao espaço e nos fornece informação vinda, por exemplo, dos músculos dos olhos e dos pés, aqueles que ainda há pouco falávamos que poderiam ser alterados por uma má oclusão.
Segundo a Escola de Lisboa de Postura, este quadro de assimetria postural com as variadíssimas causas e os variadíssimos sintomas ou sinais, constituem o designado Síndrome de Deficiência Postural (S.D.P.) descrito pela primeira vez por um médico português, o Dr. Martins da Cunha, onde a dislexia de evolução em crianças ou adultos foi apresentada como um dos sintomas. Este trabalho foi continuado pelo Dr. Orlando Alves da Silva, Médico Oftalmologista, que se dedica sobretudo ao tratamento destas crianças disléxicas.
Hoje a Medicina Dentária não pode ficar apenas a olhar o dente em si, a cárie, as escovagens, os selantes nas crianças ou as restaurações nos adultos.
Deve antes olhar para o bem-estar geral do indivíduo, para o seu nível de desenvolvimento, para a sua aprendizagem e para a sua qualidade de vida.
É importante também que colabore no diagnóstico diferencial das escolioses, das cefaleias, das dores nos ouvidos, na hiperactividade, nas depressões e, por último, na dislexia.
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Se perguntarem a uma pessoa “Para que servem os dentes?” a primeira resposta imediata é que os dentes servem para mastigar. Mas logo de imediato, pode-se perguntar “Mas todos os dentes servem para mastigar?”.
Uma criança de 6 anos dizia-me: “Sabes o que os dentes da frente dizem para os de trás? – Toma lá. E os dentes de trás respondem: – Dá cá!”.
Nesta análise, a pequena criança já sabia que nem todos os dentes serviam para mastigar, uns dão aos outros para os outros mastigarem.
A mesma criança poderia dizer: “Olha, falta-te aqui um dente” ou “Este dente está preto”. Descobriu, então mais uma função dos dentes.
Estes contribuem para a estética da face. Se estão em falta, se estão presentes, se estão manchados, se são pequenos, se estão alinhados, ou ainda se a sua cor nos agrada.
Podem-nos caracterizar psicologicamente ou ter influencia em características psicológicas.
Imagine, Sr. leitor, se todos os dentes são grandes, claros e com formas elegantes, ou então se são pequenos, escuros, estão desgastados ou desalinhados. Qual a forma mais desejada? Claro que os dentes constituem uma forma de caracterizar a personalidade, assim como a estética facial de cada um de nós.
“Não gosto destes dentes, são muito grandes” ou “Não gosto de dentes pequenos”. Estas são as insatisfações mais frequentes que se ouvem nos consultórios dentários. Mas a mesma criança poderia dizer: “Axxim extão melhores”. Fala, como se diz na gíria comum, sopinha de massa.
Concluímos, que os dentes também têm uma função na fala, a língua coloca-se sobre os dentes ou entre estes para podermos falar. Altera negativamente a forma de prenunciar as palavras e consequentemente a escrita, uma vez que escrevemos como falamos. Assim, verificamos como os dentes “influenciam a nossa mão”.
Mas adiante, deixemos este assunto para uma outra ocasião!
Os dentes podem ainda servir como “arma” não só no ser Humano. Uma criança pode demonstrar a sua saudável agressividade através de uma mordida. Também podem servir como instrumento de trabalho. Por exemplo, uma costureira corta a linha com os seus dentes, para não falar de instrumentos de suporte de cachimbos e outros objectos.
Existem tribos em que os homens, através da exposição dos seus dentes em danças rituais, têm por objectivo atrair as possíveis parceiras sexuais. Daí que passem bastante tempo na tentativa de os branquear.
Mas há uma função muito importante, talvez a segunda mais importante, depois da mastigação. É a função de ranger os dentes durante a noite, ou mesmo durante o dia, como forma de alívio do stress ou da ansiedade. Pode acontecer no adulto, mas também se passa na criança.
A consequência mais significativamente visível é o desgaste prematuro dos dentes. Esta é uma função normal dos dentes e que atinge cerca de 30% da população. Com muita frequência, surgem dores nos músculos da mastigação, incluindo os que se inserem na cabeça. Estas dores são quase sempre confundidas, com cefaleias ou enxaquecas.
Por último, usamos os dentes para fazer força ao agarrar grandes pesos. Existem pessoas que o fazem constantemente, e esse hábito provoca grandes dores de cabeça e uma perda de qualidade de vida que, associado a um mau posicionamento dentário, provoca cerca de 80% de todas as dores de cabeça.
Já agora não aperte os seus dentes!
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