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A postura no nosso dia-a-dia

Todos nós adoptamos uma postura para escrever, ler, trabalhar, ver televisão, estar de pé, andar ou mesmo dormir. No entanto estas posturas ou esquemas corporais podem-nos originar complicações para a vida.

Essas complicações podem apresentar-se como dores de cabeça, dores de pescoço e na coluna dorsal e lombar, além de algumas dores nos membros superiores e inferiores. Podem ainda surgir tonturas quando estamos em presença de grandes alterações do sistema proprioceptivo.

Cerca de 80% de todas as TAC’s que se fazem à coluna e à cabeça, são para dores lombares ou por dores de cabeça (cefaleias ou enxaquecas). A percentagem da população afectada é muito significativa, ultrapassando 10%.

 

 

 

 

 

 

 

Mas o que determinará a nossa postura?

 

Se nalguns casos será, apenas, um mau “vício” ou comportamento, noutros casos assim não será.

É do conhecimento geral da população, que existe um sistema circulatório e um sistema nervoso central, mas a existência de um sistema tónico postural não é conhecido.

É precisamente neste sistema, que ainda pouco se conhece, mas que já se diagnostica e se tratam grandes problemas que há alguns anos nem se pensaria existirem.

Foi um médico português, o Dr. Martins da Cunha, que pela primeira vez em todo o mundo descreveu o Síndrome de Deficiência Postural.

Determinou que a posição do olhar, relacionado com a rotação da cabeça e do corpo, assim como as assimetrias na altura dos ombros e dos ossos ilíacos, viria a caracterizar um problema, que se manifestaria de diferentes formas: cefaleias, artralgia (dor na articulação), lombalgias, síndromes vertiginosas e mais expressivamente, dislexia postural.

Interessa saber como é constituído este sistema, como é regulado e como se pode interagir com ele de uma forma terapêutica.

Ao cérebro chegam todas as informações visuais, da posição dos nossos membros, se estamos sentados, de pé ou em movimento. Essas informações são também chamadas de proprioceptivas e devem chegar de tal forma a que traduzam a realidade. Por exemplo: se temos os pés paralelos (e sem olhar para eles) devemos ser capazes de apontar com as mãos qual o seu sentido.

Informações contraditórias dos músculos dos olhos, dos músculos cervicais, das diferentes articulações, dos tendões e mesmo da pele e pés, desequilibram o sistema tónico postural (Bernard Bricot).

Vamos supor que temos um crescimento assimétrico dos ossos da cabeça e temos um olho mais acima e o outro mais abaixo. A mastigação apenas de um lado durante um longo período de tempo pode produzir este efeito.

Com o plano bipupilar (linha imaginária que passa pelos dois olhos e é paralela ao solo) o que fazemos é nivelar a cabeça de forma a colocar os dois olhos ao mesmo nível, para tal inclinamos a cabeça.

Surge então um dos primeiros problemas posturais. Os ombros ficam desnivelados, o pescoço inclinado e toda a musculatura da zona contraída de forma assimétrica.

Vamos agora supor que, por uma razão qualquer, detectamos, ainda que de forma, existe um dente mais alto, num tratamento vulgar ou a corrigir os dentes com um aparelho ortodontico. O que acontece?

Vamos inclinar a cabeça para fugir à prematuridade, contraindo os músculos que abrem e fecham a boca, para que não se partam os dentes e dar uma informação ao cérebro que essa é a forma correcta de fechar a boca, “Memória Muscular”, dos músculos da mastigação.

Se inclinam a cabeça de uma forma sistemática por esta prematuridade, os músculos dos olhos compensam, nomeadamente os oblíquos, ao terem que nivelar os olhos à custa do desnivelamento dos ombros. Se os ombros ficam desnivelados, toda a coluna se compensa, incluindo os ossos da bacia e assim surge uma perna mais curta.

O mesmo acontece a uma criança que durma com as mãos debaixo da face e empurre os dentes superiores desse lado todos para dentro, ficando a relacionarem-se com os inferiores de uma forma errada. A consequência é um desequilíbrio muscular!

 

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